terça-feira, 28 de julho de 2009

Introdução a Gestão Ambiental NBR ISO14001


Introdução a Gestão Ambiental

Função da NBR ISO14001 no Universo Sócio Industrial
S.Guilherme Sandoval Sundfeld

A questão ambiental se tornou uma das grandes preocupações de nosso tempo. A opinião publica se volta cada vez mais para os problemas ligados a qualidade de vida e ao futuro do planeta, dando crescente apoio a grupos ambientais e partidos políticos que levam estampados nos seu marketing o “selo verde” como se esse fosse também a única saída para os nossos problemas ambientais.
Esta em curso um processo de conscientização geral sobre os efeitos do aumento da população mundial, sobre a limitação dos recursos disponíveis, poluição Industrial, mudanças climáticas globais, e principalmente sobre os hábitos de desperdícios das sociedades de consumo.
Atualmente estas questões estão agora sendo vistas como aspectos diferentes de um mesmo problema, que é a nossa incapacidade, demonstrada até aqui, de promover o desenvolvimento sustentável.
Quanto aos aspectos legislativos, e em grande parte como resposta à pressão da opinião publica, vem ocorrendo uma acentuada mudança de atitude, onde a partir do final dos anos 80, com os governos assumindo posições mais fortes em relação a questões como disposição de resíduos, poluição do ar e da água, seguido por políticas de energia e de transporte. O ônus pesa agora em grande parte sobre a indústria, que se vê pressionada a controlar e minimizar a produção de todas as formas de resíduos. Pesa contra elas também os efeitos da adoção do principio do Poluidor pagador, onde em casos de passivos ambientais, danos ambientais ficam por conta de o causador cobrir todas as despesas todo o ônus do delito “quem poluiu paga”. Esse procedimento, agora é parte fundamentada da legislação ambiental da maioria dos países industrializados. Os administradores precisam, portanto estar cientes das questões ambientais e das legislações pertinentes as suas atividades rotineiras, de modo a reduzir a exposição de suas empresas ao risco de processos judiciais desnecessários.
O impressionante de tudo isso, é que seja bem provável que a legislação sozinha consiga produzir melhorias permanentes no desempenho ambiental de uma determinada Industrial e comercio, ou nas atividades do publico em geral. Afinal, compete à comunidade empresarial gerenciar as mudanças necessárias para assegurar a redução da poluição ambiental e promover o desenvolvimento sustentável em longo prazo.
O principal propósito da ISO14001 através das auditorias ambientais é o de assegurar que essas melhorias planejadas para o desempenho ambiental estejam efetivamente sendo alcançadas, e que as empresas não se exponham a riscos desnecessários associados a danos e a dispendiosos processos resultantes de poluição causada por elas.
Essas atividades de SGA e Auditorias Ambientais já são usadas há muito tempo por empresas de grande porte. Hoje por sua vez a pequenas empresas, estão caminhando nessa direção, mas existem alguns obstáculos a serem superados, como por exemplo, a questão do posicionamento pessoal em atividades relacionadas a questões multidisciplinares. Existem empresas que tem como gestor ambiental, um técnico em segurança do trabalho, atuando em várias áreas da empresa. Se formos interagir ao pé da letra, essa é uma das maiores “NÃO CONFORMIDADES” que uma empresa possa cometer.
Observa-se em vários seguimentos, uma prepotência muito grande com relação às questões referentes a um SGA, onde por sua vez o colaborador, após passar por alguns “treinamentos” internos, se considera acima de tudo aquilo que existe, de forma a desconsiderar muitas vezes as próprias condicionantes estipuladas por certos requisitos da norma ISO14001 ou por condicionantes específicas como, por exemplo, as resoluções CONAMA.
O sistema de gestão ambiental deveria ser um instrumento organizacional que possibilita às instituições alocação de recursos, definição e responsabilidades; bem como também a avaliação contínua de práticas, procedimentos e processos, buscando a melhoria permanente do seu desempenho ambiental. A gestão ambiental integra o sistema de gestão global de uma organização, que inclui, entre outros, estrutura organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para programar e manter uma política ambiental, onde todos sejam responsáveis.Impossível visualizar um SGA sem a integração das Auditorias Ambientais seja externo ou interno. Acontece que em muitas indústrias, utilizam de certos procedimentos usuais referentes à SGA onde são inseridos de maneira irresponsáveis alguns programas que estão e fazem parte do SGA como, por exemplo, o 6 SIGMA que visa (visão, meta e estratégia), MASP que são (métodos de analises e soluções de problemas), 5S Housekeeping muito utilizado e teve sua origem em empresas japonesas (Organização, ordenação,limpeza,asseio e disciplina), 7 ferramentas da qualidade que seria uma SGIntegrado onde pudesse se desenvolver tanto a ISO 14001, a 9001, a OSHAS18001, SA8000.
E por fim a própria Auditoria Ambiental, que na maioria das vezes esta associada a uma verificação das atividades financeiras de uma empresa ou de uma organização. Mas para a Oxford English Dictionary define auditoria como: “um exame oficial de contas, validado através de testemunhos e comprovantes” praticamente essa definição essa idéia prevalece no contexto da Garantia da Qualidade ou da Melhoria Continua. Embora neste caso esteja sendo verificada a eficácia da Gestão da Qualidade em vários seguimentos da Empresa. Assim, a Norma Britânica define sobre Auditoria de Qualidade através da BS7229 (ISO10011), como sendo a auditoria da qualidade: “Um exame sistemático e independente para determinar se as atividades da qualidade e seus resultados estão de acordo com as disposições planejadas, e se estas foram efetivamente implementadas e estão adequadas à realização dos objetivos”
As Auditorias também devem ser aplicadas igualmente a todos os sistemas, processos, produtos e serviços, o que nem sempre ocorre. Não existe uma definição universalmente aceita para auditorias ambiental. Ela é ás vezes confundida com outras atividades relacionadas, tais como avaliação ambiental, análises ambientais, e em alguns casos como rotulagem ambiental (eco-labelling).
Essas confusões podem ser eliminadas, no entanto se mantivermos em mente que a auditoria é simplesmente um processo de verificação entre outros, e que por sua vez ela visa averiguar se as políticas e procedimentos são realmente eficaz.
Assim a Auditoria Ambiental é definida pela Comissão Européia como: “uma ferramenta gerencial compreendendo uma avaliação sistemática, documentada, periódica e objetiva do desempenho de organizações, gerenciais e de equipamentos, com o objetivo de contribuir para salvaguardar o meio ambiente, facilitando o controle gerencial de praticas ambiental e avaliando o cumprimento de diretrizes assim definidos pela política ambiental da empresa, o que incluiria o atendimento de exigências de órgãos reguladores e normas aplicáveis”.
Portanto, quando realizamos uma auditoria ambiental, não estamos tentando auditar “o ambiente” como tal, mas sim a eficácia de nossos Sistemas de Gestão Ambiental em obter melhoria contínua no nosso desempenho ambiental, no sentido da proteção do meio ambiente.
A Auditoria não é a mesma coisa que avaliação ou analise. As maiorias dos gerentes ambientais fazem uma distinção entre Auditorias Ambientais de Empresas ou Organizações Existentes, e Avaliações Ambientais de novos projetos e ou empreendimentos. Já uma Analise ambiental pode ser apropriada para as novas atividades quanto às atividades existentes já há algum tempo.
Sem a pretensão de esgotar o tema, evidencia a importância do SGA em todos os níveis de atividades lembrando que o objetivo geral de uma auditoria ambiental é o de identificar os riscos ou problemas asmbientais que surgem das atividades de uma empresa antes que eles se tornem um passivo ambiental. Através de um solido programa e de profissionais qualificados para esse seguimento, pode-se atingir vários objetivos, definidos por um PDCA – P (plan: planejar), D (do: fazer, executar) C (check: verificar, controlar), e finalmente o A (act: agir, atuar corretivamente), visto que essa atividade envolve a verificação sistemática da obediência aos sistemas e procedimentos de proteção ambiental, procurando também confirmar se todos os riscos envolvidos foram adequadamente avaliados buscando de forma objetiva, assegurar a conformidade com as legislações, com as normas ambientais e códigos de pratica, atender às preocupações dos grupos que se interessem pela empresa, incluindo investidores, banqueiros e seguradoras. Identificar também oportunidades de aprimoramento da imagem ambiental da empresa para maior aceitação de seus produtos dentre tantos outros aspectos correlatos.
Concluindo, todas as organizações envolvidas deverão ou deveriam aplicar o Ciclo PDCA dentro de um SGA para desenvolver o planejamento e o controle do escopo do projeto que lhes cabe gerenciar.
A utilização desses recursos promove o aprendizado contínuo dos processos. Isto repercute positivamente na tomada de decisão da parte do gestor, pois favorece a obtenção de informações oportunas e confiáveis durante a execução do projeto.
A melhoria contínua ocorre quanto mais “rodada” for o Ciclo PDCA. A melhoria contínua aperfeiçoa a execução dos processos, possibilita a redução de custos e o aumento da produtividade. A aplicação do Ciclo PDCA juntamente com um SGA a todas as fases do projeto leva ao aperfeiçoamento e ajustamento do caminho que o empreendimento deve seguir.
Mesmo os processos considerados satisfatórios são passíveis de melhorias: o mundo evolui constantemente.
A introdução de melhorias gradativas e contínuas aos processos só tendem a agregar maior valor aos resultados do projeto e a assegurar maior satisfação dos clientes e competitividade entre os empreendedores e suas empresas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário