terça-feira, 25 de agosto de 2009

UMA ABORDAGEM ÉTICA À PROTEÇÃO AMBIENTAL Dalai Lama


Uma Abordagem Ética à Proteção Ambiental

Dalai Lama


A vida na Terra está ameaçada por atividades humanas não compromissadas com valores humanitários. A destruição da natureza e seus recursos é resultado da ignorância, da cobiça e da falta de respeito pelos seres vivos, incluindo nossos próprios descendentes. As gerações futuras herdarão um planeta extremamente degradado, caso a paz mundial não se efetive e a destruição da natureza continue nesse ritmo.

Nossos ancestrais viam a Terra como rica e generosa, o que ela realmente é. Muita gente no passado também via a natureza como inexaurivelmente sustentável. Está comprovado que caso cuidemos bem da Terra, ela pode ser efetivamente uma fonte inesgotável de recursos.

Não é difícil perdoar a destruição causada à Terra no passado, fruto da ignorância. Hoje, contudo, temos fácil acesso a todo o tipo de informação e é essencial que examinemos eticamente o que herdamos, quais são nossas responsabilidades e o que passaremos para as gerações vindouras. Muitas dessas gerações poderão não conhecer habitats, animais, plantas, insetos e microorganismos da Terra. Temos a capacidade e a obrigação de agir e devemos fazê-lo antes que seja tarde demais. O mesmo cuidado que temos em cultivar relações pacíficas com nossos semelhantes, deve ser estendido ao meio ambiente.

E não apenas por uma questão moral ou ética, mas pela nossa própria sobrevivência. Para a geração presente e para as futuras, o meio ambiente é fundamental. Se o explorarmos exaustivamente, podemos receber algum benefício hoje, mas, a longo prazo, sofreremos as conseqüências. Quando o meio ambiente se altera, as condições climáticas também se alteram e, por conseguinte, nossa saúde está sendo muito afetada. Repetindo, a conservação não é meramente uma questão moral, mas sim da nossa própria sobrevivência.

Portanto, para conseguirmos proteção e conservação ambiental mais eficazes, é essencial que o ser humano desenvolva um equilíbrio interno. O desconhecimento em relação à importância da preservação do meio ambiente causou graves danos à humanidade. Precisamos agora ajudar as pessoas a compreenderem a necessidade urgente da proteção ambiental para a nossa sobrevivência.

Se você quer ser egoísta, então seja sábio e não mesquinho em seu egoísmo. A chave está no nosso senso de responsabilidade universal. Essa é a verdadeira fonte de luz, a verdadeira fonte de felicidade. Se esgotarmos tudo o que estiver disponível na Natureza, como árvores, água e sais minerais, e não fizermos um planejamento adequado para as próximas gerações, para o futuro, certamente estaremos em falta. Entretanto, se tivermos um verdadeiro senso de responsabilidade universal como força motriz, nossa relação com o meio ambiente e com nossos vizinhos serão bem mais equilibradas.

Por último, a decisão de salvar o meio ambiente deve brotar do coração do homem. Clamemos a todos para que desenvolvam um senso de responsabilidade universal fundamentado no amor, na compaixão e na clareza de consciência.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Eu Quero Mudar o Mundo


Eu Quero Mudar o Mundo

por Luiz Fernando do Valle

Pensei em vários assuntos que poderia abordar para começar o blog, mas achei que qualquer coisa que dissesse soaria impessoal se eu não me apresentasse.

Meu nome é Luiz Fernando Lucho do Valle, nasci em Porto Alegre, tenho 53 anos, quatro filhos, quatro netos e sou formado em engenharia civil.

Minha intenção ao escrever nesse blog é ajudar a mudar o mundo. E para isso, despertar nas pessoas o interesse pela sustentabilidade, assim como aconteceu comigo há alguns anos.

Em 2003, na virada do ano para 2004, em Guarapari, no Espírito Santo, sentado em uma pedra à beira-mar, sozinho, eu decidi fazer um balanço da minha vida. Refleti sobre minhas origens, minha família, carreira e tudo que havia feito até chegar ali.

Descobri que, apesar de ter cumprido o que almejava profissionalmente, ainda faltava fazer algo que contribuísse para o bem comum.

Resolvi então me isolar no meu escritório e só sair de lá quando tivesse encontrado uma forma de usar minha experiência, de quase 30 anos como engenheiro e executivo, para ajudar de alguma maneira a melhorar a qualidade de vida nas cidades.

Depois de três meses e muita leitura de artigos, revistas especializadas e pesquisa na internet, formulei um plano de vida: construir moradias sustentáveis para a classe média.

Eu percebi que, para mudar o mundo, é preciso primeiro mudar as atitudes das pessoas.

Eu mudei.

Saí do meu emprego, vendi meu apartamento e peguei um empréstimo dando como garantia os dois carros que tinha para começar minha empresa.

Trabalhei muito para desenvolver um novo modelo de negócio que pudesse agregar todo o conhecimento adquirido na minha vida profissional e nesse retiro que fiz. Avançei muito nesses três anos e meio. Saí de uma boa idéia para a consolidação de um grupo de empresas voltadas para a realização do nosso grande objetivo: transformar o mundo construindo residências sustentáveis para melhorar a qualidade de vida das pessoas nas cidades.

Hoje consigo chamar a atenção para esse tema, posso dividir minhas idéias aqui, nesse blog e, com isso, tentar fazer com que mais gente se interesse pela sustentabilidade.

Não é necessário que você faça o mesmo que eu fiz. Mas é preciso que todo mundo comece a fazer algo pelo futuro do planeta. Pelo nosso futuro e de nossos filhos e netos.

Eu quero mudar o mundo, pelo menos o mundo que está ao meu alcance. Quero deixar um mundo melhor do que o que eu encontrei.

Por isso, pretendo voltar aqui sempre com mais idéias e discuti-las com quem se interessar para que você e outras pessoas também me ajudem a colocar em prática essas soluções e juntos possamos salvar o planeta. Ou pelo menos tentar.

Educação - A Chave para a Mudança


Educação - A Chave para a Mudança

Por Luiz Fernando Lucho do Valle Presidente da Ecoesfera Empreendimentos Sustentaveis

Muito se fala em mudar o mundo, várias propostas são feitas, várias possibilidades são apresentadas, soluções inovadoras ou tecnologias avançadas surgem como respostas para essa necessidade urgente de salvar este mundo imperfeito que criamos.

Porém, a resposta para dar o pontapé inicial nessa jornada de refazer o que não deu certo é oferecer para todos, indistintamente para todos, o direito de aprender, a possibilidade de universalizar o ensino, permitindo que aconteça uma das coisas mais importantes em nossas vidas, o direito igual ao saber.

Saúde e segurança são desejadas por todos, são fundamentais em nossa qualidade de vida, mas é a educação de boa qualidade que garante igualdade de condições para todas as pessoas. É através dela que conquistamos nosso maior direito como cidadão, o direito de entender o mundo que nos cerca, melhorando a nossa condição de vida por mérito próprio.

Em testes internacionais recentes os melhores alunos brasileiros ficaram nas últimas colocações, abaixo da quinqüagésima posição entre cinqüenta e sete países. Nossos alunos são despreparados, o ensino no Brasil em geral é fraco e de péssima qualidade.

Pais e governos não dedicam o tempo necessário para mudar esse quadro vergonhoso de nosso País. Em pesquisa publicada na revista Veja de 20 de agosto deste ano, a reportagem afirma que: “89% dos pais consideram receber das escolas um bom serviço em troca do que pagam”. Na mesma reportagem é afirmado que: “…os pais brasileiros de todas as classes não se envolvem como deveriam na vida escolar dos filhos.

Os mais pobres dão graças aos céus pelo fato de a escola fornecer merenda, segurança e livros didáticos gratuitos. Os pais da classe média se animam com as quadras esportivas, a limpeza e a manifesta tolerância dos filhos às exigências acadêmicas muitas vezes calibradas justamente para não forçar o ritmo dos menos capazes.”

Pais despreocupados, governos omissos, professores desestimulados e despreparados, além de mal remunerados: esse quadro compromete, e muito, o objetivo de vencermos nosso maior desafio, tornar-nos uma nação em condições de alcançar um patamar digno de civilidade e desenvolvimento.
Um país desenvolvido se faz com pessoas bem preparadas, conhecedoras das suas condições e capazes de alcançar padrões de vida dignos por seus próprios méritos.

Como brasileiro cansei de ouvir que somos um País do futuro, quero ser do presente, e quero ter orgulho de meu País pelo que somos e não pelo que seremos. Quero, e acredito que toda a minha geração também, viver este novo Brasil, que seja reconhecido não por sermos bom de futebol ou termos um carnaval animado, e sim por termos superado séculos de atraso e vencido a pobreza pelo mérito de cada um e não por programas assistencialistas.

Nosso povo não quer esmola, quer estudar, trabalhar e crescer. Quer poder sonhar com uma vida melhor e conquistar as boas coisas que a vida pode oferecer com o sentimento de dever cumprido. Nosso povo merece essa chance.

Controlar a inflação, ter uma economia estável, melhorar o padrão de vida da população mais pobre, tudo isso é bom, porém, é efêmero se não investirmos nossas melhores cabeças e recursos na formação de jovens de todas as idades e, assim, darmos para nosso o País o direito de olhar com orgulho os seus feitos como nação.

Um país sem uma educação adequada jamais será sustentável.

Sustentabilidade Social: Uma Nova Visão do Papel das Empresas


Sustentabilidade Social: Uma Nova Visão do Papel das Empresas

Por Luiz Fernando Lucho do Valle Presidente da Ecoesfera Empreendimentos Sustentaveis

A percepção da importância da sustentabilidade social vem crescendo muito nos últimos anos. A complexidade dos assuntos abordados e a dificuldade em tratá-los, seja pelos seus vários desdobramentos ou pelo grande número de partes envolvidas, têm impedido que se avance muito em relação à posição atual.

A urgência é reconhecida por todos, porém, o tempo perdido e a desorganização dos interessados atrasam um debate mais consistente e prático dos caminhos a serem propostos.

Estamos vivendo uma situação em que as pessoas endentem que é necessário ampliar e aprofundar a discussão sobre esse tema, e reconhecem a importância de cada um para as mudanças que terão de ser alcançadas. Mas a falta de liderança e de vontade política de alguns participantes tem comprometido esses esforços.

Não há mais dúvida quanto às reais necessidades de se buscar um novo patamar no nosso desenvolvimento social. Sabemos que o desequilíbrio entre as classes tem comprometido as melhorias duradouras na qualidade de vida das pessoas. Sem justiça social não há ambiente propício para criarmos uma sociedade sustentável.

O conceito da sustentabilidade social apóia-se no direito que todas as pessoas têm às mesmas condições e permitir que os menos favorecidos possam ascender socialmente, conseguindo, assim, participar da distribuição de renda e de bens gerados no País.

Não cabe aqui discutir visões apaixonadas sobre as diferenças do capitalismo ou socialismo, quais são as suas vantagens ou desvantagens. Minha visão é pragmática e realista: mudanças sociais são feitas em um processo lento e difícil por envolver interesses conflitantes entre as partes.

É a velha briga entre classes que tem movimentado nossa história há vários séculos.

Essas mudanças se fazem necessárias agora. Não podemos mais postergá-las sob pena de frustrar a todos, com graves conseqüências para o nosso futuro.

São vários os participantes nesse processo, cada um com suas expectativas e disposição para negociar uma solução que atenda aos seus interesses e muitas vezes não os dos outros. A diferença de enfoque de cada um tem levado a posturas rígidas e muitas vezes radicais, afastando pessoas e organizações essenciais para essa solução.

Dos três principais interessados, governo, sociedade e empresas, talvez sejam as empresas as que tenham as melhores condições de buscar destravar esse impasse. São elas que possuem uma habilidade nata para negociar e aproximar as diferenças, permitindo uma convergência para um ponto em comum.

As constantes mudanças no nosso dia-a-dia levaram as empresas, que são as mais adaptadas a essas transformações, a terem um papel de revisora dos costumes e hábitos, e a serem referências nas comunidades em que estão inseridas. Isso as credencia a liderar os movimentos sociais em curso hoje em nossa sociedade.

A cada dia empresários e executivos têm aceitado rediscutir os interesses de suas empresas com base em um enfoque social. Eles entendem que sem conquistar posições mais justas para as outras partes não alcançarão os seus objetivos e, no futuro, poderão ter os seus negócios prejudicados.

Acredito que os empresários e executivos das empresas privadas e públicas deveriam participar mais deste momento, em que há uma percepção generalizada de que é preciso dar passos mais rápidos em direção a essas mudanças.

Do triângulo da sustentabilidade, o lado social é, de longe, o mais importante. É dele que emanam os problemas ou soluções para os outros dois, seja o econômico ou o ambiental. E as empresas são as grandes responsáveis por ajudar a desenvolvê-lo e difundi-lo.

Se quisermos ter qualidade de vida e esperança de dias melhores temos que assumir nosso papel de líderes e chamar para nós a responsabilidade dessas mudanças.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ética Empresarial


Ética Empresarial
Sebastião Guilherme S.Sundfeld


Comum olharmos nos dia de hoje, e observar como tudo está continuamente mudando, numa frenética evolução em busca de melhores condições de vida, diga-se “qualidade de vida”, em busca da casa própria e do carro zero, do plano de saúde, da viagem que ainda não se realizou, do casamento que está por vir, e do emprego numa multinacional. Somam-se tudo e vai achar um denominador comum igual a: “sou uma pessoa bem sucedida na vida, não importando de que maneira”, ou “venci na vida, também não importa de que maneira”, ou “sou diretor de multinacional e o meu status social é invejável, e não interessa a ninguém como consegui essa façanha, tive muita sorte.

Sem duvida alguma, estes são casos de sonhos de consumo tão natural e familiar quanto uma pequena flor que desabrocha na primavera no seu jardim ou uma laranjeira que floresce no verão no fundo do seu quintal. Nisso tudo inclui doenças, mortes, calúnias, traições, famílias divididas, onde irmão não conhece irmão, amigos, enganos e desenganos, amores e desamores e todas aquelas coisas que alegram e que entristecem nossos corações que aparentemente mais parece um fantoche que dança regido pelos desejos mais íntimos das ambições humanas e das relações de consumo impostas por uma sociedade a beira da loucura.

Hoje está na moda falar e desenvolver relações éticas nos ambientes empresariais, essa ética pode ser interpretada ou entendida como sendo um “valor” de uma organização que tenta assegurar sua sobrevivência num mercado extremamente desleal e concorrido. Onde sua reputação é alvo de inúmeros bombardeios promovidos pelos seus concorrentes que consequentemente refletirá em seus resultados, em seu nome, no seu lucro, positivo ou negativamente.

Para alguns doutrinadores, a ética é “o comportamento de uma determinada empresa, ou entidade lucrativa, de acordo com sua conduta e interatividade com as conformidades em relação aos princípios morais e as regras do bem proceder aceitas pela coletividade. Essa ética profissional e conseqüentemente das organizações é considerada um fator importantíssimo para a sobrevivência delas, tanto das pequenas quanto das grandes empresas.

Mas como entender essas relações quando nos ensinaram no colégio que a palavra Ética é originada do grego ethos, que significa modo de ser, caráter. Através do latim mos (ou no plural mores), que significa costume, derivou-se a palavra moral. Em Filosofia, Ética significa o que é bom para o indivíduo e para a sociedade, e seu estudo contribui para estabelecer a natureza de deveres no relacionamento indivíduo - sociedade.

Mas as organizações estão percebendo a necessidade de utilizar à ética, para que o “público” tenha uma melhor imagem do seu “slogan”, que permitirá, ou não, um crescimento da relação entre funcionários e clientes. Mas seria esse o caminho mais ético a percorrer? Fazer da ética um marketing com a intenção de mostrar somente uma relação aparentemente perfeita entre, organizações, consumidores, colaboradores, meio ambiente? E a onde fica a “verdadeira” pratica da conduta ética? Sendo que ética nas organizações significa “forma de ser e modo de agir”, não de maneira mecânica, mas como fruto da reflexão em consonância com a cultura e a filosofia da organização. E onde fica a ética de Sócrates, Platão, Aristóteles. Será que todo empresário deveria ser filosofo por natureza? ou cursar filosofia nas faculdades, para compreender essas questões? Ou será que esses grandes filósofos teriam que ser grandes empresários, como Henri Ford, que revolucionou um setor do mundo dos negócios.

Desse modo, é relevante ter consciência de que toda a sociedade vai se beneficiar através da ética aplicada dentro da empresa, bem como os clientes, os fornecedores, os sócios, os funcionários, até mesmo o governo... Se a empresa agir dentro dos padrões éticos, ela só tende a crescer, desde a sua estrutura em si, como aqueles que a compõem.

Difícil concluir e compreender toda essa complexidade empresarial e tais condutas éticas. Mas seria oportuno lembrarmo-nos de nossas mães, da educação que recebemos em casa, aquela educação de berço, onde os princípios éticos, morais e sociais, dos deveres e obrigações, foram nos transmitidos de forma espontânea a nos amparar emocionalmente para que possamos discernir o certo do errado, o talvez do porque, o sim do não, discernir a fé da crença, a alegria da tristeza, o desejo da cobiça, o honesto do trapaceiro.

Mas o que nos interessa nesse momento é estarmos prontos, e darmos boas vindas quando chegar a sua vez de experimentar as mudanças que a vida nos proporciona, que nos oferece a cada instante, seja boa ou não, pois não há nada como ela para aumentar as suas sensibilidades e elevar a sua mente em direção da verdadeira conduta ética.