sábado, 6 de fevereiro de 2010

“Tecnologias Ambientalmente Corretas”



Prof Sebastiao Guilherme Sundfeld

Antes mesmo das grandes descobertas, os povos viviam de maneira precária, a qualidade de vida era praticamente inexistente. Nem mesmo as cortes ou os mais abastados tinham condições de se manterem vivos com qualidade de vida por mais de cinqüenta ou sessenta anos, devido a uma serie de fatores culturais, ambientais, de infra estrutura, que colaboravam para o surgimento de alguns sérios problemas, de ordem social. Exemplo a falta de saneamento nos pequenos vilarejos e nas grandes cidades da época que colaboravam para o surgimento de inúmeras doenças.

Antes da Revolução Industrial, a atividade produtiva era praticamente artesanal e manual (daí o termo manufatura), no máximo com o emprego de algumas máquinas simples. Dependendo da escala, grupos de artesãos podiam se organizar e dividir algumas etapas do processo, mas muitas vezes um mesmo artesão cuidava de todo o processo, desde a obtenção da matéria-prima até à comercialização do produto final. Esses trabalhos eram realizados em oficinas nas casas dos próprios artesãos e os profissionais da época dominavam muitas (se não todas) etapas do processo produtivo.

A partir da Revolução Industrial onde foram implantadas novas tecnologias com o objetivo da produção em massa de um produto, para atender as demandas de um mercado que na época já era consumista, os artesãos passaram, nesse período a simples controladores de maquinas que produziam em larga escala. Esse momento histórico marcou o inicio de uma nova era, com novos conceitos e tecnologias empregadas através do uso de maquinas para sua produção.

Com a chegada dessas novas tecnologias, começou a existir uma serie de problemas ocasionados por ela. Pois a tecnologia envolve as praticas, ferramentas e processos mais simples como uma colher de madeira, a fermentação de uvas, até as ferramentas e processos mais complexos já criados pelo ser humano, como a Estação Espacial, e os processos de dessalinização. Mas essas tecnologias de ponta são geradoras de inúmeros conflitos com relação a algumas preocupações naturais de nossa sociedade, como o desemprego, a poluição e outras muitas questões ecológicas, filosóficas e sociológicas.

Em nossos dias existem inúmeros produtos artificiais e naturais, sendo que os naturais estão gradativamente se tornando produtos indústrias ou industrializados. Em algumas regiões da Terra nos países mais ricos, as famílias consomem somente produtos industrializados, leite, suco de frutas, conservas, o que gera uma quantidade de resíduo enorme com relação às embalagens e recipientes onde esses produtos são “armazenados” por um período dentro de um prazo de validade. Por outro lado aqueles países que não tem tanta condição financeira ou que não detenham tecnologia industrial, ainda continuam a consumir os produtos in natura aqueles que não passam por nenhum processo químico ou por processos de industrialização. De um lado tem-se o desenvolvimento e junto à degradação, não somente do ambiente, mas das vidas que consomem esses inúmeros produtos produzidos através de tecnologias de primeira linha. Ao passo que avançamos nesse sentido de produção industrializada, outros fatores estão agregados, como a medicina, medicamentos, saneamentos para sanar problemas causados por nós mesmos, e por outro lado observa-se a degradação ambiental, desmatamento, poluições em suas mais diversas condições, criando-se condições de vida um tanto caótica para as pessoas que vivem dessas tecnologias. Contra partida, aqueles povos menos favorecidos por tais tecnologias, continuam a ter precariedade, não somente com relação à produção de insumos para sua sobrevivência, mas acabam sendo atingidos também por essa degradação ambiental em massa, produzida e fomentada ao passar de décadas por uma política de consumo insana e a beira da loucura.

Num pequeno espaço de tempo, coisa de dez anos, começou a enfatizar por parte de alguns setores, a busca de se adequar tecnologias mais limpas, as condições atuais do planeta e dos seres vivos que aqui habitam. Essa proposta causou e ainda causa alguns desconfortos em vários setores industriais. Nesse processo de reestrutura cultural e social para se atingir a sustentabilidade, onde se busca a produção através de alguns parâmetros a seguir com a finalidade de tentar ao máximo produzir sem destruir de forma a preservar os recursos naturais, fauna, flora, a vida de maneira geral.

Dentre tantas questões a serem abordadas sobre nossas mudanças de padrões de consumo, por exemplo, em função da crise energética e do problema do aquecimento global surgiu à necessidade de buscarmos novas fontes de energia que pudessem minimizar os graves problemas advindos dessa situação.

Uma das formas de se resolver o problema do aquecimento do clima na Terra é rever uma boa parte da matriz energética usada pelo homem até agora. Por essa razão surgiu o desenvolvimento das energias alternativas ou renováveis, que são obtidas de fontes naturais virtualmente inesgotáveis, sendo algumas dessas pela grande quantidade de energia que contêm e outras porque têm a capacidade de regenerar-se por meios naturais.

A capacidade do homem de desenvolver soluções para os seus problemas é muito grande, porém, sua capacidade de criá-los é muito maior, e essa tem sido a principal razão de estarmos nesta situação.

Por não perceber sua gravidade ou por menosprezá-la, descobrimos que estamos na eminência de uma catástrofe climática provocada pelo próprio homem, sem precedentes em nossa história. Podemos estar vivendo o epílogo de uma fase para iniciar outra da qual não temos o menor domínio.

Muito se tem escrito e falado sobre esse problema, mas parece que só acordaremos desse sono profundo quando for muito tarde. Ou não. É possível que alguns milhares de pessoas, ou mesmo comunidades, já tenham despertado desse pesadelo e estejam dando os primeiros passos dessa nova fase de desenvolvimento sustentável de nossa civilização.

A base energética que suportou nosso crescimento nestas últimas décadas apoiou-se fortemente no combustível fóssil, altamente poluente desde a sua extração e com grande impacto ambiental. Antes dele o carvão, igualmente nocivo à saúde humana e à natureza. A vida moderna tem sido movida a custa de recursos esgotáveis que levaram milhões de anos para se formar e um dia irão acabar.

O uso desenfreado desses combustíveis tem mudado substancialmente a composição da atmosfera e o equilíbrio térmico do planeta, provocando o aquecimento global, degelo nos pólos, chuvas ácidas e o envenenamento de todo meio ambiente.

O que parecia ser boa solução como combustível, petróleo e carvão, em função das reservas e dos preços baixos até alguns anos atrás virou uma bomba-relógio e um passivo ambiental sem precedentes para a humanidade. E hoje, constatamos que o preço que teremos de pagar por essa aventura é muito maior do que imaginávamos ou gostaríamos.

Surgiu uma nova esperança no fim do túnel com o desenvolvimento dessas fontes de energia alternativa. É bem provável que em um futuro próximo outras energias ainda surjam mais potentes e econômicas, mas já podemos agora começar a substituição do carvão e do petróleo por energias mais limpas e renováveis.

As energias alternativas têm o potencial de atender a maior parte da demanda crescente por energia, independentemente da origem dessa demanda, seja para a eletricidade, para o aquecimento ou mesmo para o transporte.

Há três aspectos importantes que devem ser salientados sobre esse tipo de energia: a sua viabilidade econômica, a sustentabilidade dessas fontes e a disponibilidade de recursos renováveis para a sua geração, o que varia nas diferentes regiões do globo.

A energia renovável provém de ciclos naturais de conversão da radiação solar, que é a fonte primária de quase toda energia disponível na Terra. Por isso é praticamente inesgotável e não altera o balanço térmico do planeta.

As energias alternativas podem ser geradas por fontes diferentes: hidráulica, energia potencial da água realizada em centrais hidroelétricas; eólica, energia cinética ou de movimento que utiliza o vento, captado por aerogeradores ou moinhos de ventos; oceânica, energia cinética de movimento ondular que através de uma turbina é transformada por um gerador em energia elétrica; solar, energia captada em painéis térmicos e armazenada em baterias próprias para uso doméstico; geotérmica, energia que provém do calor do interior da Terra e utiliza os gêiseres que são fontes termais; nuclear, consiste no uso controlado das reações nucleares para a geração de eletricidade; e a biomassa, através da fotossíntese, as plantas capturam energia do sol e transformam em energia química. Essa energia pode ser convertida em eletricidade, combustível ou calor, a exemplo da cana-de-açúcar.

Acredita-se que quaisquer que sejam as fontes de energia que venham a predominar em um futuro próximo terão que ter características que permitam baixíssima emissão de gases poluentes e grande capacidade de renovação.

O meio ambiente tem sofrido por anos consecutivos um nível de devastação e poluição no ar, solo e na água que torna o cenário atual extremamente perigoso e quase irrecuperável. O momento exige, por parte dos governos e da sociedade, uma revisão de hábitos, costumes e de interesses, de tal forma que surja uma nova mentalidade e um comprometimento com o nosso futuro. O tempo restante antes do colapso é curto. Temos que apressar as soluções necessárias e mudar nossa percepção de progresso enquanto há tempo.

Sob a ótica dessas concepções de mudança escutamos quase sempre falar em mudar o mundo, várias propostas são feitas, várias possibilidades são apresentadas, soluções inovadoras ou tecnologias avançadas surgem como respostas para essa necessidade urgente de salvar este mundo imperfeito que nossos pais criaram talvez por inércia da irresponsabilidade de alguns que incentivaram tais ações mundiais. E só agora através dos erros e dos poucos acertos, estamos acordando desse sonho bom, e batendo a cara num pesadelo desolador.

Porém, a resposta para dar o pontapé inicial nessa jornada de refazer o que não deu certo é oferecer para todos, indistintamente o direito de aprender, a possibilidade de universalizar o ensino, permitindo que aconteça uma das coisas mais importantes em nossas vidas, o direito igual ao saber.

Saúde e segurança são desejadas por todos, são fundamentais em nossa qualidade de vida, mas é a educação de boa qualidade que garante igualdade de condições para todas as pessoas. É através dela que conquistamos nosso maior direito como cidadão, o direito de entender o mundo que nos cerca, melhorando a nossa condição de vida por mérito próprio.

Em testes internacionais recentes os melhores alunos brasileiros ficaram nas últimas colocações, abaixo da quinqüagésima posição entre cinqüenta e sete países. Nossos alunos são despreparados, o ensino no Brasil em geral é fraco e de péssima qualidade.

Pais e governos não dedicam o tempo necessário para mudar esse quadro vergonhoso de nosso País. Em pesquisa publicada na revista Veja de 20 de agosto deste ano, a reportagem afirma que: “89% dos pais consideram receber das escolas um bom serviço em troca do que pagam”. Na mesma reportagem é afirmado que: “…os pais brasileiros de todas as classes não se envolvem como deveriam na vida escolar dos filhos.

Os mais pobres dão graças aos céus pelo fato de a escola fornecer merenda, segurança e livros didáticos gratuitos. Os pais da classe média se animam com as quadras esportivas, a limpeza e a manifesta tolerância dos filhos às exigências acadêmicas muitas vezes calibradas justamente para não forçar o ritmo dos menos capazes.”

Pais despreocupados, governos omissos, professores desestimulados e despreparados, além de mal remunerados: esse quadro compromete, e muito, o objetivo de vencermos nosso maior desafio, tornar-nos uma nação em condições de alcançar um patamar digno de civilidade e desenvolvimento.
Um país desenvolvido se faz com pessoas bem preparadas, conhecedoras das suas condições e capazes de alcançar padrões de vida dignos por seus próprios méritos.

Como brasileiro cansei de ouvir que somos um País do futuro, quero ser do presente, e quero ter orgulho de meu País pelo que somos e não pelo que seremos. Quero, e acredito que toda a minha geração também, quer viver este novo Brasil, que seja reconhecido não por sermos bom de futebol ou termos um carnaval animado, e sim por termos superado séculos de atraso e vencido a pobreza pelo mérito de cada um e não por programas assistencialistas.

Nosso povo não quer esmola, quer estudar, trabalhar e crescer. Quer poder sonhar com uma vida melhor e conquistar as boas coisas que a vida pode oferecer com o sentimento de dever cumprido. Nosso povo merece essa chance.

Controlar a inflação, ter uma economia estável, melhorar o padrão de vida da população mais pobre, tudo isso é bom, porém, é efêmero se não investirmos nossas melhores cabeças e recursos na formação de jovens de todas as idades e, assim, darmos para nosso o País o direito de olhar com orgulho os seus feitos como nação.

Um país sem educação adequada jamais será sustentável.